sábado, dezembro 31, 2011

O mínimo necessário

Estava no início de uma viagem,
tive uma sensação estranha,
parecia que tinha esquecido algo....o que?!
Refiz mentalmente a lista de tudo que precisaria levar.
Ah! Percebi que esquecera meu coração!
Perdi tantas partes importantes dele,
será que restou o suficiente pra me trazer viva?

Nada

O luto anestesia.
A gente vive e não sente a vida.
Comemora mas não se delicia.
Sorri mas não se alegra.
As endorfinas se evaporam
As sinapses congelam.
O hoje fica turvo e o amanhã, o que é mesmo?!
O luto embota, sufoca, mata um pouco.
Letargia que imobiliza, desespera, angustia.
Devastadora dor da falta, da saudade eterna (nesta vida).
A incredulidade da perda faz tudo ainda mais insano.
Como pode haver sanidade na morte?
Como haveria no luto?!
Quanto de loucura é necessário para acreditar que aconteceu mesmo?!

terça-feira, agosto 09, 2011

ALHEADA...

Eu espero que você me ouça.
Eu preciso que você me veja.
Eu aguardo pelo seu olhar.
Eu suspiro pelo seu sorriso.
Alimento-me do brilho dos seus olhos,
Como me encanta o sorriso do seu olhar.
Estou carente de atenção.
Socorro! Meu coração grita voz aflita...
Preciso que me note.
Preciso ser importante, pra você.
Preciso de um ombro, uma mão e um coração a mais.
Ai!
Estou doente, muito carente de você.

terça-feira, agosto 02, 2011

Revide

O que dizer,
Quando a vida te gira, esbofeteia e te larga,
Prostrado no chão?
O que sonhar?
Quando nebulosas invadem seu coração?
De onde tirar forças?
Onde pisar quando a mola propulsora quebrou?
De onde tiro essa vontade de ver, sair, falar, amar, cantar, visitar, futucar, saber, conhecer, amar, gargalhar, ouvir, cantar, contar, conectar, passear, falar?
É o meu revide.
É o meu tapa de pelica,
Nela,
Na vida.
Eu apanho e bato,
Bato com mais vigor que apanho, bato com vida, na vida.
Tome, vida!
Mais, vida!
Mais vida!

sexta-feira, julho 29, 2011

Trago em mim várias cicatrizes

Trago em mim várias cicatrizes
Umas são visíveis, outras não
Tem uma de infância, de quando tentei andar de carinho de rolimã,
fica acima do pé, uma mancha esbranquiçada, que quase já não se nota.
Tem umas que não aparecem,  e ninguém desconfia que existam, mas doem bastante.
Tem uma marquinha de catapora sob a sobrancelha,
Tem uma no joelho, uma queda num dia de chuva,
Tem a linda cicatriz do parto cesáreo, quase não aparece mais, pena.
Tem a da pequena, e leve, queimadura na mão, de quando fiz  brigadeiro para o nono aniversário do filho.
Tem a cicatriz imensa e sangrante, da ausência saudosa da mãe,
Tem a da tristeza de ver o pai doente. Dor aguda, ferida aberta, não cicatrizou.
Trago em mim várias cicatrizes,
Umas são visíveis, outras não.

quarta-feira, junho 08, 2011

ser humano

O ser humano é o animal mais esquisito que existe.

Um amor de Pastor


Quando penso em pastor,
Lembro-me da imagem daquele, que cuidava de cem ovelhas,
E que ao sentir falta de uma,
Deixou o rebanho juntinho,
Com certeza num local seguro e acolhedor,
Com alimento e água o suficiente,
E foi procurar, preocupado, pela que saiu, fugiu,
Ou distraidamente tomou um caminho errado.
Ele a trás no colo, de volta ao grupo.
Que alegria! Que amor!
Quando penso no Israel,
Sinto muito carinho.
Tenho aprendido muito com seus ensinos.
Mas o que me encanta,
É que ele não se coloca acima de nós,
A não ser na responsabilidade de ser pastor.

quinta-feira, junho 02, 2011

O que vai lá (dentro)

Fiquei triste com seu descaso,
Mas será que me importo com você?
Primeiro aguardei por um sinal seu,
De interesse, ou curiosidade.
Depois com o seu silêncio, surgiu a constatação.
Como não fora a primeira vez, não veio o espanto.
Depois, com o mutismo crônico,
Veio a indignação abraçada com a raiva.
Como é horrorosa a raiva.
Eu estava decidida a responder silêncio com outro,
Mas não consegui.
Confessei meus sentimentos.
Antes, temi perder a amizade, nada disse.
Mas a raiva se alimenta dos rancores silenciosos.
Tanto a raiva quanto a indignação são assim.
Depois fiquei me indagando se, era amizade o que havia.
Sim era amizade, frágil, verdadeira, mas rasa.
Menti, não confessei tudo o que sentia.
Deixei escoar apenas uma leve impressão.
Talvez não quisesse perder de vez o contato,
Talvez para não mostrar meu lado sombrio,
Mas também para me mostrar vítima e bem superior.
Acho que não me importo com você, como imaginava.
Caso meu amor fosse sincero, não ficaria tão magoada,
Nem necessitaria de reparações suas,
Muito menos de expor seus defeitos num espelho.
Depois do desabafo, encontrei, eu, o meu.
E a imagem refletida, de mim, doeu.
É.
Não há nada mais doloroso, do que olhar a alma no espelho.

sábado, maio 28, 2011

Não existe igual

Abba conversa comigo.
Nem sempre fala.
Ele não é prolixo como eu,
Mas me ouve com atenção.
Quando fala, Abba é direto e inteiro.
Fala ao meu coração, à minha mente;
Nem sempre é simples assim, mas sempre é impactante.
Às vezes fala por situações do dia-a-dia, músicas, outdoors, jornais, e-mails,
por outras pessoas,
O mais estranho, é que  Ele se dirige a mim,
através de quem nem o reconhece como ABBA!
Abba sempre conversa comigo.
Quando Abba fala, eu sinto que não existe amor igual.

sexta-feira, maio 27, 2011

Tem no coração


No meu coração tem um Sol.
Quando há enchentes, Tsunamis,
O Sol brilha.
Terremotos, deslizamentos,
O Sol continua a brilhar.
Chuva fina,
Sol com chuva.
Tempestades, furacões,
O arco-íris surge, e aponta que o Sol brilha.
No meu coração,
Os eclipses nunca são totais.
O Sol brilha.
 

 

segunda-feira, maio 23, 2011

O que ficará?

 
O que a gente deixa?
Uma palavra, um gesto, ato,
Um sorriso, um abraço?
Sei que o que levaremos é o amor.
Mas o que deixaremos quando partirmos?!
Um exemplo a ser seguido ou evitado?
Saudade imensa ou até que enfim?!
O que estou deixando por aí,
Nos corações que me cercam?!

domingo, maio 22, 2011

Fotos

Fotos antigas
Nas fotos ninguém é triste, no máximo sério.
Rever fotos antigas traz saudades de tempos e pessoas,
Curiosidade pela cultura da época.
Expressões podem gerar risos, surpresa.
Casais separados estão juntos.
O idoso é bebê.
Nas fotos a gente não envelhece.
Rever fotos de família com filho é diversão.
Ver a mãe quando criança, o avô rapaz, o tio ainda garoto,
O bisavô com a tataravó.
Risos e vontade de ver e rever de novo.

sábado, maio 21, 2011

O olhar em mim

Eu vi o seu olhar.
Seus olhos brilharam pra mim!
Meu coração,
Ah...coração, quantas batidas num segundo?
Quantas  consegues suportar?
Seu olhar brilhou dentro de mim.
Que felicidade!

quarta-feira, maio 18, 2011

Espero um milagre...

Dias longos, vazios,
Incertos e indecisos,
Exames e exames,
Remédios, prescrições,
Cuidados e atenção,
Cansaço e dor.
Choro e silêncio,
Choro silenciosamente.
Diagnóstico inexiste,
A pressão aumenta,
As questões se avolumam,
A tristeza persiste,
O choro vence.
A lágrima arde os olhos.
Realidade parece ficção.
O pesadelo é real.
Estou à espera de um milagre.

Compreendeu?

Deus faz o que quer, da maneira dele, quando e onde deseja.
Mas na maioria das vezes, eu não entendo nada.

Algo a falar

Agora eu sei por que existem escritores.
São pessoas com muito a contar,
num mundo pouco disposto a ouvir,
então escrevem o que eles têm a dizer.

O fim

Finitude.
Não existe palavra mais triste.
Queria arrancá-la do dicionário.
Tem outras das quais não gosto,
mas essa eu odeio.

terça-feira, maio 17, 2011

A Calma, a alma e o mar

Se fosse o mar espelho d'alma,
nele a minha refletiria,
pra saber por que não tenho calma.

Pai

Hoje eu chorei.
Chorei pelo pai que tive, aquele da infância, o super-herói:  Sábio, forte, másculo, decidido e carinhoso.
Que era apaixonado por passarinhos e por todos os outros animais;
Que sabia assoviar como uma flauta. Ninguém assoviava como ele;
Que era o mais belo tenor do coro da igreja;
Que gostava de ler o jornal inteirinho;
Que adorava uma festa;
Que aos sábados fazia pastéis “refeição” comigo, quem deu esse nome aos pastéis fui eu.  Às vezes fazíamos brevidades.  A cozinha ficava um horror de tanta bagunça, mas que delícia o lanche,  as descobertas, os sorrisos.
Chorei de saudades do pai que eu esperava toda noite, pra abraçar e depois beliscar o jantar dele, e às vezes me empolgava nessas horas, mas tudo bem pra ele e pra mim. Depois penteava-lhe os cabelos  colocava os meus prendedores e ele deixava!
Em casa não havia nada que não soubesse consertar.
Meu pai era tão super-herói que nunca faltava ao trabalho, mesmo estando doente.
Hoje, chorei pelo meu pai, que ficou diferente, mudou.
Na verdade eu cresci e quem mudou fui eu.
Hoje chorei pelas escolhas dele e pela ausência por tanto tempo em minha vida.
Que tristeza!
Hoje choro pelo que foi perdido e não terá retorno.
Ainda bem que ficamos, novamente, bem próximos e, esquecendo o intervalo que nos afastou, pudemos viver mais um pouco desse amor.
Agora choro meu pai doente.
Choro a saudade do que poderia acontecer de bom conosco.
Choro de medo da perda, da ausência nos dias festivos, dos telefonemas diários, das visitas, do riso, do abraço, do olhar de quem me vê desde sempre.
Nem tudo foi perfeito, nem como eu ou ele desejávamos, então eu choro.
Tudo foi movido a amor, choro mais.
Hoje não sei se me ouve ou entende, mas falo e evito chorar ao seu lado, mas por dentro, as lágrimas inundam meu coração.
Hoje eu choro.

Filho

João,
nome que enche a boca,
enche minha boca de risos.

segunda-feira, maio 16, 2011

Tempos

Tempo de fora igual tempo de dentro.
Lá fora céu nublado,
Aqui nublados pensamentos.

Olá! Sejam bem-vindos.

Que tal um escape? Um tempo fora da mesmice.
Escape! Escapemos!!
Venha sempre que desejar.