Hoje eu chorei.
Chorei pelo pai que tive, aquele da infância, o super-herói: Sábio, forte, másculo, decidido e carinhoso.
Que era apaixonado por passarinhos e por todos os outros animais;
Que sabia assoviar como uma flauta. Ninguém assoviava como ele;
Que era o mais belo tenor do coro da igreja;
Que gostava de ler o jornal inteirinho;
Que adorava uma festa;
Que aos sábados fazia pastéis “refeição” comigo, quem deu esse nome aos pastéis fui eu. Às vezes fazíamos brevidades. A cozinha ficava um horror de tanta bagunça, mas que delícia o lanche, as descobertas, os sorrisos.
Chorei de saudades do pai que eu esperava toda noite, pra abraçar e depois beliscar o jantar dele, e às vezes me empolgava nessas horas, mas tudo bem pra ele e pra mim. Depois penteava-lhe os cabelos colocava os meus prendedores e ele deixava!
Em casa não havia nada que não soubesse consertar.
Meu pai era tão super-herói que nunca faltava ao trabalho, mesmo estando doente.
Hoje, chorei pelo meu pai, que ficou diferente, mudou.
Na verdade eu cresci e quem mudou fui eu.
Hoje chorei pelas escolhas dele e pela ausência por tanto tempo em minha vida.
Que tristeza!
Hoje choro pelo que foi perdido e não terá retorno.
Ainda bem que ficamos, novamente, bem próximos e, esquecendo o intervalo que nos afastou, pudemos viver mais um pouco desse amor.
Agora choro meu pai doente.
Choro a saudade do que poderia acontecer de bom conosco.
Choro de medo da perda, da ausência nos dias festivos, dos telefonemas diários, das visitas, do riso, do abraço, do olhar de quem me vê desde sempre.
Nem tudo foi perfeito, nem como eu ou ele desejávamos, então eu choro.
Tudo foi movido a amor, choro mais.
Hoje não sei se me ouve ou entende, mas falo e evito chorar ao seu lado, mas por dentro, as lágrimas inundam meu coração.
Hoje eu choro.
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