sexta-feira, julho 29, 2011

Trago em mim várias cicatrizes

Trago em mim várias cicatrizes
Umas são visíveis, outras não
Tem uma de infância, de quando tentei andar de carinho de rolimã,
fica acima do pé, uma mancha esbranquiçada, que quase já não se nota.
Tem umas que não aparecem,  e ninguém desconfia que existam, mas doem bastante.
Tem uma marquinha de catapora sob a sobrancelha,
Tem uma no joelho, uma queda num dia de chuva,
Tem a linda cicatriz do parto cesáreo, quase não aparece mais, pena.
Tem a da pequena, e leve, queimadura na mão, de quando fiz  brigadeiro para o nono aniversário do filho.
Tem a cicatriz imensa e sangrante, da ausência saudosa da mãe,
Tem a da tristeza de ver o pai doente. Dor aguda, ferida aberta, não cicatrizou.
Trago em mim várias cicatrizes,
Umas são visíveis, outras não.