quinta-feira, junho 02, 2011

O que vai lá (dentro)

Fiquei triste com seu descaso,
Mas será que me importo com você?
Primeiro aguardei por um sinal seu,
De interesse, ou curiosidade.
Depois com o seu silêncio, surgiu a constatação.
Como não fora a primeira vez, não veio o espanto.
Depois, com o mutismo crônico,
Veio a indignação abraçada com a raiva.
Como é horrorosa a raiva.
Eu estava decidida a responder silêncio com outro,
Mas não consegui.
Confessei meus sentimentos.
Antes, temi perder a amizade, nada disse.
Mas a raiva se alimenta dos rancores silenciosos.
Tanto a raiva quanto a indignação são assim.
Depois fiquei me indagando se, era amizade o que havia.
Sim era amizade, frágil, verdadeira, mas rasa.
Menti, não confessei tudo o que sentia.
Deixei escoar apenas uma leve impressão.
Talvez não quisesse perder de vez o contato,
Talvez para não mostrar meu lado sombrio,
Mas também para me mostrar vítima e bem superior.
Acho que não me importo com você, como imaginava.
Caso meu amor fosse sincero, não ficaria tão magoada,
Nem necessitaria de reparações suas,
Muito menos de expor seus defeitos num espelho.
Depois do desabafo, encontrei, eu, o meu.
E a imagem refletida, de mim, doeu.
É.
Não há nada mais doloroso, do que olhar a alma no espelho.

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